30 de abril de 2017


Por Josefina Campos:

São eles que me fotografam, com seus flashes vermelhos, no meio da madrugada: estudam, farejam, esmiuçam. Vêm em pares, de seus planetas abstratos e sentam-se na mangueira, chupando manga e olhando a lua... e riem, riem e riem... de mim.
São eles que me vêem choramingando, sangrando e sem véu; acodem a minha falta de fé e testemunham meus pensamentos mais vis, ingênuas crianças... e indefesas: amordaçam a minha boca, mas me dão lugar no continente dos delírios, na nau dos insanos, onde os rostos se transformam... e de novo... e de novo.
Seus beijos, seus bocejos e desamores despertam todos os espantalhos do quarto de brinquedo: carnavais e funerais em mim. Acho que vou dormir... 
 De alma lavada, cubro todos eles, um a um - obras incompletas que retomarei amanhã - com o cetim branco do meu esquecimento.