14 de julho de 2012

ENTREVISTA COM LORENA KIM RICHTER


Entrevista com Lorena Kim Richter, especialista em Jung que estará no Recife ministrando curso dia 31 de agosto e 1 de setembro

A psicóloga junguiana Lorena Kim Ritchter estará no Recife nos dias 31 de agosto e 1 de setembro, ministrando o mini-curso ‘Alquimia Junguiana: o universo alquímico e a arte clínica’, no Lumen Novum, em Casa Forte. Conversamos com Lorena para conhecer melhor o trabalho dela. Confira na entrevista abaixo:
1.Quem é Lorena Kim Richter (breve perfil profissional)?
Sou psicóloga clínica junguiana, mestre em psicologia clínica pela PUC-RIO. Trabalho em consultório particular e sou professora convidada da Pós Graduação Teoria e Prática Junguiana ( Universidade Veiga de Almeida-RJ).Além disso traduzo livros e workshops da área de psicologia do alemão para o português.Ano passado finalizei a tradução dos Seminários sobre Sonhos de Crianças de C.G.Jung. Outra atividade minha é a de contadora de histórias em pediatrias. (RJ)
2. Como conheceu Jung e o que a atraiu de imediato no trabalho de Jung?
Conheci Jung ainda estudante, durante o meu estágio na casa das Palmeiras – instituição criada no Rio de Janeiro por Nise da Silveira.O que me atraiu de imediato em Jung é a sua concepção simbólica que não é reducionista e seu rico diálogo com outras áreas do conhecimento como a literatura, filosofia, arte e religião.
3. Quando decidiu se especializar em Jung?
Já na faculdade. Apesar de não ter cursado nenhuma disciplina sobre Jung decidi fazer a minha monografia nessa área. Alguns anos depois resolvi continuar estudando Jung em meu mestrado.Somente mais tarde , já como professora da Pós Graduação em Jung decidi fazer a Pós Graduação igualmente como aluna.
4. Você traduziu o livro ‘Seminários sobre sonhos de crianças’, de Jung. Como foi realizar este
trabalho?
Foi um trabalho exaustivo e rico.A tradução exigiu muita pesquisa pois neste livro Jung dialoga com inúmeras áreas do conhecimento. Ao mesmo tempo pude me aproximar mais do pensador Jung como ser humano, pois o livro consiste em seminários falados que foram transcritos e no princípio o objetivo não era uma publicação.Sendo assim Jung revela um lado descontraído e espontâneo ao qual não temos tanto acesso em suas outras obras.Nestes seminários Jung não parece muito preocupado com a repercussão de suas palavras e não tem “papas na língua”. Às vezes nos chocamos com as suas declarações diretas , outras nos maravilhamos!
5. Nos dias 30 de agosto e 1 de setembro você estará no Recife realizando o mini-curso ‘Alquimia Junguiana: o universo alquímico e a arte clínica’. Fala um pouco sobre a Alquimia na perspectiva Junguiana.
Jung tem um profundo interesse pelos diversos sistemas simbólicos das mais variadas culturas.O estudo junguiano da Alquimia encontra-se diretamente relacionado ao seu interesse pela religião.Na verdade Jung interessa-se por todos sistemas que acolhem e dão forma às imagens simbólicas do inconsciente.Por que razão? Jung afirma que ao lidarmos com os produtos inconscientes de nossos pacientes precisamos usar uma linguagem adequada – uma linguagem imagética.Está idéia é expressa pela máxima alquímica:”Dissolva a matéria em sua própria água.” Traduzindo: para compreender as imagens complexas, ambíguas, paradoxais de nosso inconsciente não devemos lançar mão de agentes externos estranhos a este material, pois assim destruímos as imagens através de uma postura reducionista ao invés de nos aprofundarmos nelas- ou como nos diz um texto alquímico a respeito da operação da calcinação (um processo de secagem da matéria):”a calcinatio só pode ocorrer por meio do aquecimento interior do corpo,assistido pelo amigável calor exterior; mas a calcinação através de um agente heterogêneo só pode destruir a natureza metálica, se é que tem algum efeito” .
6. O que a Alquimia, esta arte tão antiga, tem a nos dizer na atualidade?
Este é um ponto que abordarei no curso. Devemos sempre ser cuidadosos ao transpormos um método tão antigo para a contemporaneidade- facilmente caímos em anacronismos. Não devemos esquecer que a relação do homem medieval ( o auge da Alquimia é na idade média) com o seu meio circundante era bem diferente da nossa.Não havia a noção de sujeito atual nem a separação/cisão entre sujeito e objeto.Por isso devemos compreender a Alquimia de modo metafórico.Ela nos fornece ricas e complexas imagens que descrevem os nossos processos internos. Jung põe em prática essa idéia de falar das imagens através de outras imagens em seu método de amplificação.
7. Algo importante que queira dizer e que não foi perguntado.
Muitas coisas! Vocês descobrirão no Mini Curso!
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