30 de abril de 2017


Por Josefina Campos:

São eles que me fotografam, com seus flashes vermelhos, no meio da madrugada: estudam, farejam, esmiuçam. Vêm em pares, de seus planetas abstratos e sentam-se na mangueira, chupando manga e olhando a lua... e riem, riem e riem... de mim.
São eles que me vêem choramingando, sangrando e sem véu; acodem a minha falta de fé e testemunham meus pensamentos mais vis, ingênuas crianças... e indefesas: amordaçam a minha boca, mas me dão lugar no continente dos delírios, na nau dos insanos, onde os rostos se transformam... e de novo... e de novo.
Seus beijos, seus bocejos e desamores despertam todos os espantalhos do quarto de brinquedo: carnavais e funerais em mim. Acho que vou dormir... 
 De alma lavada, cubro todos eles, um a um - obras incompletas que retomarei amanhã - com o cetim branco do meu esquecimento.

13 de março de 2017

Entrevista com Henrique Pereira - RJ




Confira a entrevista com Henrique Pereira sobre o mini curso que acontecerá em Recife - "Os deuses tornaram-se doenças”: em busca de uma psicopatologia arquetípica.

1. Quem é Henrique Pereira e com o que você trabalha?

Sou um carioca com raízes mineiras. Me formei em psicologia pela UFRJ e obtive doutorado em psicologia social pela UERJ. Coordenei uma especialização em psicologia junguiana na Universidade Santa Úrsula. Atualmente trabalho como psicólogo clínico em consultório particular e leciono psicopatologia e psicologia analítica na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, cidade onde vivo; ofereço cursos e seminários sobre a psicologia analítica de Jung no Rio de Janeiro e em outras cidades. Também escrevo artigos e ensaios na área da psicologia junguiana. Tenho um livro publicado, cujo título é Jung e o laboratório da alma: a psicologia analítica examinada pela teoria do ator-rede (Ed. Juruá).

2. Como você se interessou pela abordagem junguiana e pela psicopatologia?

Descobri Jung ainda adolescente ao ler Memórias, sonhos, reflexões. Alguma coisa que não sei definir me capturou, então, naquele texto; algo que até hoje estou tentando entender! (rsrs) O fato é que a leitura daquele livro me motivou a cursar a faculdade de psicologia. Hoje, eu diria que o que me atrai na psicologia de Jung é primeiro sua concepção de uma psique fundamentalmente multifacetada, isto é, dividida em diferentes complexos e sujeita à influência de diversos padrões de fantasia (os arquétipos). O sujeito para Jung é portanto plural. Me interessa também – e este ponto é consequência do anterior – a abertura de Jung ao “outro”: teoricamente, a psicologia analítica é um enfoque que não se pretende único, absoluto, mas, em vez disso, reconhece a necessidade epistemológica de outras teorias para que tenhamos uma compreensão mais ampla da psique.  E do ponto de vista prático, é notável a postura igualmente antidogmática de Jung de buscar adaptar a terapia para cada paciente em particular, respeitando assim a sua singularidade.  Jung me atrai finalmente por sua coragem – seu caráter “daimônico”, diria James Hillman – de abordar temas malditos pela ciência, como a alquimia, e por ter se aproximado de figuras também malditas, geniais, como Freud e Nietzsche (este último, ao nível teórico).
A psicopatologia é literalmente a ciência que estuda o sofrimento psíquico. A abordagem psicopatológica da psiquiatria, porque fundada num modelo médico, visa a grosso modo separar o sofrimento psíquico “anormal” do restante do conjunto da psique, tal como um corpo estranho, maligno, que deve ser extirpado do organismo. O enfoque de Jung é diverso: ele não divide inteiramente o pathos (sofrimento) da psyché (alma), mas encara o paciente em sua totalidade complexa. Chegou mesmo a dizer que “não é [a neurose] que é curada, mas é ela que nos cura”, sugerindo com isso que pode haver algo de significativo e de valor no sofrimento da alma. Hillman, por sua vez, identificou uma disposição espontânea, natural, na psique de enxergar uma parte de si como doente, anômala. A psique nesse sentido teria habitualmente uma tendência a encarar o próprio indivíduo e o mundo de uma perspectiva aflitiva, mórbida, que ele denominou “patologizar”. Tanto Jung quanto Hillman aportam algo de “trágico” ao entendimento da psicopatologia, afastando-se portanto do modelo médico, apolíneo, da psiquiatria reinante.

3. O que o mini curso pretende abordar?

Este mini curso pretende apresentar a psicopatologia da perspectiva da psicologia junguiana. Vivemos numa época de espetaculares e velozes inovações tecnocientíficas, algo jamais visto anteriormente na história da humanidade. A neurociência também avançou no conhecimento do cérebro nas últimas décadas, contribuindo para o desenvolvimento de um psicopatologia psiquiátrica fortemente materialista, biológica. Assim, na prática clínica de psiquiatras e clínicos gerais, cada vez mais o sofrimento anímico tem sido reduzido a um problema orgânico e consequentemente tratado com a prescrição de drogas. O efeito disto é no mínimo duvidoso, segundo vários especialistas. Mas o que a psicologia junguiana tem a oferecer diante de tal quadro? Aqui entramos mais precisamente no conteúdo do mini curso. Sem negar o possível papel do corpo, a psicologia junguiana entende que devemos incluir a trama de fatores psíquicos individuais, culturais e arquetípicos na formação das doenças mentais. O curso abordará então condições como histeria, ansiedade e depressão desta perspectiva psicológica mais ampla, profunda, complexa. Se é verdade que “os deuses tornaram-se doenças”, como disse Jung, qual é então o “deus” por trás de um quadro, por ex., de histeria ou depressão? Que quer a psique quando se encontra angustiada, aflita, deprimida? São estes os tipos de questão que o curso pretende discutir.

Informações e inscrições no Lumen Novum.
Dias 12 e 13 de maio de 2017 sexta das 18:30 às 20:30 e sábado das 9h às 17h.
Local: Espaço Rizoma
Investimento $200 estudante e $230 profissional
Vagas limitadas!!!!!



8 de março de 2017


Os deuses tornaram-se doenças?

O Lumen Novum, em parceira com o Rizoma, promove mini curso sobre Psicopatologia Arquetípica em Recife. Ministrado por Henrique Pereira (RJ), psicólogo clínico junguiano.
Inscrições e informações no Lumen Novum.


7 de março de 2017

Curso de introdução à Arteterapia


Vamos Transformar, Criar, Ampliar!? 

Aconteceu nesse último final de semana o I módulo da quarta edição do curso teórico vivencial de introdução à Arteterapia no Lumen Novum - Psicologia Analítica e Arteterapia!

Psicologia Junguiana e Arteterapia em Olinda


Novidade: as Psicólogas Junguianas e Arteterapeutas Alessandra Guimarães e Sayuri Matsumiya agora atendem também em Olinda. As atividades se iniciam a partir do dia 13 de Março,  próxima segunda. 🌸🍃


Módulo com Carlos Bernardi. Pós de psicologia junguiana com enfoque na prática clinica.




1 de agosto de 2016

Pós-Graduação em Psicologia Junguiana com Enfoque na Prática Clínica

Registro do Primeiro Módulo da Pós graduação em "Psicologia junguiana com enfoque na prática clinica". A família Junguiana inicia a longa estrada com muitos sorrisos! Avante que a jornada só começou! Os caminhos são muitos...Gratidão!


Nova turma chegando! Em Agosto!






24 de maio de 2016


Gente, nesta quinta-feira!! Imperdível! 
Vamos conversar a respeito da profissão de Arteterapeuta?

15 de maio de 2016

Pós graduação



A Revista do IDE (INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL) chega com novidades. A partir de julho de 2016 começa a Pós-graduação Latu Senso em "Psicologia Junguiana com Enfoque na Prática Clínica". As matrículas já estão acontecendo. Ainda tem vagas, mas não muitas! Se você tem interesse, aproveita para se matricular. É só entrar em contato com o IDE - 98863.1178 - falar com Jéssica. Estamos preparando tudo com muito carinho!💙 Alessandra Guimarães, Lívia Campello, Sayuri Matsumiya, Manuelle Andreani.